Apurado pelo site UOL Confere
Documentos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não provam que “o modelo de censura americano foi aplicado no Brasil” para manipular as eleições de 2022. A afirmação foi feita nas redes sociais pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES). Ele sugere, sem provas, que os documentos são sigilosos – quando na realidade são públicos – e faz sua afirmação sem apresentar provas. O senador ainda acusa o Projeto Comprova de “filtrar informações” como parte do suposto modelo. A USAID e o TSE não estão envolvidos na criação do Comprova, no seu financiamento ou na orientação do seu trabalho, que segue metodologia descrita em seu site e evidenciada em cada verificação.
Conteúdo investigado: Vídeo em que o senador Marcos do Val afirma ter provas claras da intervenção da USAID nas eleições presidenciais brasileiras de 2022. Segundo ele, a interferência se deu com a aplicação no Brasil, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do “modelo de censura” preconizado pela USAID. Uma das diretrizes, afirma Do Val, era a atuação de uma coalizão para checagem de fatos, “filtrando informações que deveriam chegar ao público”. Por trás da iniciativa, segundo o senador, estaria a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Onde foi publicado: Facebook e Instagram.
Conclusão do Comprova: Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) sugere estar revelando documentos secretos que contêm “provas claras” de que “o modelo de censura americano foi aplicado no Brasil” para interferir nas eleições presidenciais de 2022. “Me deram a autorização para falar”, diz ele, acrescentando que guardava o material, em silêncio, desde 2023.
Os documentos, porém, são públicos e podem ser lidos por qualquer pessoa com acesso à internet. O documento produzido pela USAID é de 2021 e traça um panorama da desinformação a nível global, como forma de ajudar seus funcionários e parceiros a compreender seus princípios básicos e a como lidar com o fenômeno, reduzindo os danos de seus impactos. Já o documento do TSE delineia esforços para reduzir os efeitos da desinformação no processo eleitoral brasileiro.
Ambos os documentos citam a checagem de fatos como um dos aspectos para combater a desinformação. Do Val equipara a verificação à “censura”, mas não apresenta provas a respeito de suas afirmações. Como mostra o histórico da atividade do Comprova, o que pode ser verificado em links disponíveis na internet, o projeto não censura ou filtra conteúdos na internet…
Veja a apuração completa no site UOL Confere